Arnaldo Antunes
Dores e delícias de envelhecer
Envelhecer uma novidade. Ainda estamos apreendendo. A expectativa de vida aumentou muito nas últimas décadas e o Brasil não se preparou para isso nem em questões de acessibilidade nem na mentalidade. O preconceito com o idoso ainda é um problema e mesmo com as leis, sabemos que ainda encontramos ambientes inadequados para essa população.
Estamos envelhecendo e num país em que o corpo é um capital tão forte, isso é quase um pecado! Velho, ao invés de ser uma palavra que impõe respeito vira xingamento, como se fosse algo ruim e como se não fosse algo comum a todos, pelo menos aos que têm a sorte de desfrutar a vida por mais tempo.
Não estou aqui para romantizar o envelhecimento. É preciso se deparar com diversas perdas. Pessoas que se vão, o corpo que já não responde da mesma forma, a relação com o trabalho, a memória…É uma fase que exige sabedoria. Mas não é isso que a vida nos dá à medida que vamos passamos por ela? Vamos tendo uma melhor compreensão do mundo e de nós mesmos. Das nossas potencialidades e limitações e a lidar com elas a nosso favor.
A consciência da finitude nos dá a dimensão do valor do tempo e das pequenas coisas e a liberdade de sermos quem somos fazendo as pazes com nossos defeitos e qualidades. Se estivermos na vida de verdade, nos dispondo a aproveitar o conhecimento que ela nos oferece, nos tornamos pessoas melhores. Mais gentis com a gente mesmo e com o outro. Eu me acho muito melhor agora do que aos 20. Garanto! Rsrsrs…
A medicina evoluiu muito e podemos viver por muito mais tempo e com saúde. É claro que para isso precisamos desenvolver alguns hábitos de vida saudável! Cuidar da alimentação, do sono, da saúde mental, ter um acompanhamento médico e fazer atividade física são fatores fundamentais. Esses hábitos devem ser construídos ao longo da vida, mas nunca é tarde para começar. Se nunca fez, comece agora.
É muito importante também a construção de vínculos. Tenha amigos, conserve os antigos, mas se abra para o novo, participe de uma comunidade, troque experiências, aprenda coisas novas, ensine o que sabe. Converse com pessoas da sua idade e com jovens. Saia de casa, estimule seu cérebro. Um cérebro parado perde funcionalidade. Já está provado que a nossa capacidade de aprendizagem se mantém com o passar da idade, só precisa de estímulo.
Envelhecer tem suas dores, mas qual fase não tem? É que a gente esquece e fica só com a visão romântica do que passou. Vamos viver o que a vida tem a nos oferecer em cada momento e contribuir para um mundo melhor e menos preconceituoso!